Lagarta do Pinheiro - Informação

lagarta do pinheiro

​A Thaumetophoea pityocampa, vulgarmente conhecida como Lagarta do Pinheiro ou processionária ou ainda quaresmas é uma espécie com grande impacto negativo em pessoas, animais e nos próprios pinheiros, encontrando-se muito disseminada em Portugal.

A Processionária pode originar graves problemas de saúde pública, devido à acção urticante dos pêlos, que provocam alergias ao homem e animais domésticos. As reacções alérgicas dão-se normalmente ao nível da pele, do globo ocular e do aparelho respiratório, podendo provocar enfraquecimento e vertigens e em situações extremas levar à morte.

Como todos os insetos, o desenvolvimento da processionária passa por diferentes fases:lagarta2.jpg


  • Ovo;
  • Lagarta;
  • Pupa ou crisálida (casulo);
  • Inseto adulto (borboleta)



As lagartas passam por 5 estádios de crescimento. A partir do 3º estádio possuem pêlos urticantes que causam alergias na pele, globo ocular e aparelho respiratório. Estas alergias são sempre muito desagradáveis e podem ter consequências graves, dependendo da sensibilidade do indivíduo atingido. Estas lagartas possuem 8 receptáculos com cerca de 100.000 pêlos urticantes. Ao mover-se, abrem estes receptáculos libertando milhares destes pêlos e aumentando a possibilidade de intoxicação de uma pessoa ou de um animal que entre em contacto com eles. Os pêlos agem como agulhas, injectando as substâncias tóxicas na pele ou mucosas.

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As crianças por brincadeira e, os cães por cheirarem ou morderem as lagartas movidos por curiosidade natural, são os principais afectados.

Entre Janeiro e Maio, as processionárias abandonam o pinheiro para se enterrarem no solo, na sequência do seu ciclo de desenvolvimento. Deixando o seu hospedeiro em fila como uma procissão (daí o seu nome) dirigem-se em direcção ao solo onde irão continuar o seu desenvolvimento.

https://www.youtube.com/watch?v=JJulvNF_b8c

Caso tenha pinheiros em casa ou nos arredores deve ter alguns cuidados, uma vez que o contacto com as lagartas pode, como já foi referido, causar graves problemas de saúde. Assim, caso detecte ninhos em pinheiros, estes deverão ser destruídos e não deve entrar em contacto com eles. Os ninhos devem ser queimados com os cuidados necessários para evitar incêndios e deve colocar-se de modo a que os fumos da combustão não o atinjam pois são igualmente tóxicos.

Em termos de saúde pública, a processionária pode representar  um problema sério, sobretudo em anos de níveis populacionais elevados e junto a locais habitados.


MÉTODOS DE CONTROLO ACONSELHADOS EM ZONAS HABITADAS


Período de Outono (meados de setembro a outubro/novembro)

Nesta altura são bastante eficazes os tratamentos químicos, cuja aplicação deve cumprir com os requisitos e normas constantes da legislação em vigor, nomeadamente a Lei n.º 26/2013, de 11 de abril (disponível no site oficial da DGAV: http://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/page/portal/DGV/genericos?generico=3665981&cboui=3665981)

A eficácia depende muito de uma correta aplicação, pelo que esta deve ser efetuada por pessoal habilitado.

Período de Inverno (outubro a dezembro)

Durante este período, as lagartas evoluem do 3.º para o 5.º estádio. Aparecem os pêlos urticantes. Constroem os típicos ninhos de Inverno.

Mantêm os hábitos de alimentação crepuscular e noturno, permanecendo no ninho durante o dia, que funciona como um acumulador térmico.

Os inibidores de crescimento atuam, mas o seu efeito demora a fazer-se sentir (as lagartas morrem quando mudam de estádio) e as condições atmosféricas não são em geral favoráveis à sua aplicação. Mais eficazes são os métodos de destruição mecânica dos ninhos.

Por vezes estes encontram-se a alturas dificilmente alcançáveis a partir do solo, mesmo recorrendo ao uso de varas ou tesoura apropriadas com cabo extensível. Pode tornar-se necessário o recurso a escadas (telescópicas ou clássicas). Quando por terra, o ninho deve ser queimado.

Período da Primavera (janeiro a finais de maio)

As lagartas de 5.º estádio, após atingirem o seu desenvolvimento completo, abandonam os ninhos e dirigem-se em procissão (daí o nome de Processionária) para o solo, onde se enterram para passar à fase seguinte de pupa ou crisálida e evoluir para a de inseto adulto que emerge no Verão, completando assim o seu ciclo anual.

A destruição mecânica das lagartas é, nesta altura, o método mais eficaz a usar.

Deve-se:

  • Tentar capturar as lagartas quando descem pelo tronco cintando este, numa extensão de 0,50 m a 1 m, com plástico ou papel embebidos nas duas faces com cola inodora à base de poliisolbutadieno;
  • No solo, juntá-las com o auxílio de um ancinho, vassoura de jardinagem ou qualquer outro utensílio semelhante;
  • Queimá-las ou esmagá-las com suavidade para não provocar a projeção dos pelos como reação defensiva;
  • Se se conseguir identificar o local de enterramento (em geral situado em zona soalheira nos climas frios e temperados ou perto das árvores de origem nas zonas de clima mais quente), deve-se cavar o solo de modo a expor as pupas já formadas ou as lagartas que lograram enterrar-se. Dependendo da textura do solo a profundidade varia até um máximo de 10-15 cm.

NOTA:

Os meses do ano indicados são os que correspondem ao ciclo de vida em anos normais do ponto de visto climático.

São, no entanto, possíveis e naturais, algumas flutuações no início e final dos períodos indicados.

Os pelos urticantes encontram-se, para além do corpo das lagartas, espalhados pelos ramos e nos ninhos, pelo que ao realizar qualquer dos tratamentos aconselhados, deverá:

  • Usar luvas;
  • Proteger o pescoço;  
  • Proteger os olhos, usando óculos apropriados;  
  • Usar máscara de proteção no nariz e boca;
  • Seguir as normas de segurança de aplicação constantes nos rótulos de cada produto
  • Nas escolas e outros locais onde estejam presentes crianças, impedir, sempre que possível, o seu acesso à zona das árvores atacadas sobretudo na altura em que as lagartas descem da árvore.
  • Em caso de aparecimento de sintomas de alergia, consulte de imediato o posto médico mais próximo.

​Fonte: ICNF