Quando olhamos para os mármores nas nossas pedreiras, estes parecem-nos tão sólidos que nos é difícil perceber que nem sempre assim foram e, muito menos, que nem sempre aqui estiveram…
Através da história geológica por eles revelada, podemos compreender a sua génese…
Recuando até um passado longínquo onde águas saturadas de carbonato de cálcio chegavam a um mar de águas tépidas e pouco profundo. Neste o carbonato de cálcio precipitava e dava origem a calcários. Ao mesmo tempo ocorria uma intensa actividade vulcânica. Esta pela quantidade de gases que libertava tornava quase impossível a existência de formas de vida, é uma das principais razoes porque os mármores de Estremoz quase não apresentam fósseis. À medida que as bancadas se iam formando a espessura total dos calcários aumentava, ao mesmo tempo, as condições de sedimentação variavam de tal modo que nas últimas camadas de calcários podemos encontrar, ainda que sejam escassos, fósseis classificados como crinóides.

Figura 1 : Representação de um oceano do Silúrico, com a presença de crinóides.
Estes embora não estejam muito bem preservados, dão-nos uma informação preciosa quanto à idade das rochas.
A deposição continuada de camadas de rochas sedimentares implica, necessariamente, um regime tectónico distensivo responsável pela formação de bacias de sedimentares que irão albergar os sedimentos provenientes do desmantelamento de montanhas preexistentes. Contudo, este regime inverteu-se, passou a compressivo. Então, os sedimentos e rochas sedimentares depositados no fundo do mar, em resultado de um período de orogénese (criação de montanhas) foram deformados e transformados em rochas metamórficas, ao mesmo tempo que ascendiam para formar uma cadeia de montanhas. Se nos fosse possível observar estas montanhas veríamos que os seus picos, sobre o Alentejo Central, se situariam aproximadamente à mesma cota a que hoje passam os aviões….
Desde esse período, até aos nossos dias, as montanhas foram destruídas e os produtos resultantes formaram novas rochas sedimentares…, por exemplo, aquelas sobre as quais os dinossauros se deslocaram!!!
Se esta erosão não se tem dado ser-nos-ia de todo impossível observar e explorar os mármores do Alentejo, que se encontravam subjacentes.
Por mais surpreendente que possa parecer esta é a História Geológica mais simples que podemos ler nas rochas que encontramos nos campos alentejanos. Mais surpreendente ainda é encontrarmos sequência de rochas, com pormenores de correlação incríveis, noutros pontos do Mundo. Por exemplo, em Espanha, o que até nem admira muito, já que está perto, mas também nos Estados Unidos da América, em particular no estado Vermont, a cerca de 5000 km de distância.
Definitivamente, a Terra é um planeta Vivo!